domingo, 1 de agosto de 2010

Matéria Folha de S.Paulo - Ensino de Inglês Mira Tecnologia


Confira minha matéria publicada na Folha de S.Paulo de 1/8/10, sobre a carreira de professores de Inglês:

Ensino de inglês mira tecnologia

Encontro de professores defende uso de ferramentas modernas e mais qualificação do setor

VANESSA PRATA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Foi-se o tempo em que professores de inglês podiam encarar a profissão como um "bico" e o mercado exigia apenas fluência na língua para ingressar na carreira.
Cada vez mais é necessário estar por dentro das novas metodologias e abordagens e utilizar a tecnologia como aliada, sem deixar de lado o aspecto humano do ensino.
Esses foram os motes da Convenção Nacional Braz-Tesol, que reuniu 1.200 profissionais de ensino de inglês do Brasil e do mundo de 19 a 22 de julho em São Paulo.
"A profissionalização do setor é uma tendência. O mercado está mais exigente e precisa de professores qualificados e comprometidos", afirma Vinícius Nobre, vice-presidente da Braz-Tesol, a maior associação de professores de inglês do país.
Na sessão de abertura, Patricia Friedrich, professora da Universidade do Estado do Arizona, dos EUA, destacou a responsabilidade social do professor de idiomas.
"Dar aulas não é só um emprego. Devemos ter consciência do impacto do inglês como língua global e de que a linguagem pode ser um veículo para resolver conflitos."

INGLÊS GLOBAL
Uma das principais tendências no ensino de inglês é o uso de tecnologia, como sites, filmes, vídeos do YouTube, blogs e podcasts (arquivos de áudio on-line).
"O professor tem de conhecer as ferramentas e orientar os alunos a utilizá-las fora da sala de aula também, para o aprendizado na rapidez que o mercado exige hoje", diz o inglês Graeme Hodgson, diretor de língua inglesa do British Council.
"Quem lutar contra a tecnologia sairá perdendo. É importante aprender a lidar e trabalhar com ela", completa David Crystal, autor de duas enciclopédias da Cambridge University Press.
Com a internet, ganha destaque a ideia de um "inglês global", com mais variedade linguística do que a tradicional divisão entre o inglês britânico e o norte-americano.
Para o professor Henrique Moura, respeitar as características culturais dos falantes não nativos é um dos temas em pauta atualmente.
"Na China, há mais alunos aprendendo inglês do que nativos dessa língua, e isso tem impacto no ensino. Não é preciso ter a preocupação de soar como um nativo, mas de ser compreendido globalmente", declara Ben Goldstein, professor de cursos on-line da Universitat Oberta de Catalunya, na Espanha.

EXIGÊNCIAS ATUAIS PARA PROFESSORES

- Qualificar-se em cursos de graduação (letras, pedagogia ou educação), pós-graduação ou mestrado
- Buscar certificação internacional (como Celta e Icelt, na área de metodologia, e CAE ou CPE, na de proficiência)
- Estar antenado com a tecnologia como ferramenta de ensino (vídeos on-line, podcasts e sites, por exemplo)
- Conhecer diversas metodologias e abordagens, como a comunicativa e a lexical
- Conhecer e aplicar conceitos de ensino afetivo e neurolinguística
- Buscar aperfeiçoamento constante
- Entender a responsabilidade social do professor

Fontes: especialistas em ensino de inglês e professores

Ensino afetivo visa criar ambiente mais agradável e encorajador
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Ao mesmo tempo em que a tecnologia deve estar presente nas aulas para atrair a atenção das novas gerações, o lado humanístico do ensino tem papel fundamental.
"Uma aula não é melhor por causa da tecnologia, mas sim com um professor motivado, preocupado com o aprendizado do aluno", salienta Elcio Souza, professor da Unibero que apresentou workshop sobre ensino afetivo na convenção Braz-Tesol.
Essa corrente de ensino visa incitar a criação de um ambiente agradável e encorajador para o aluno e aplica conceitos de neurolinguística.
Herbert Puchta, autor de materiais didáticos, vê o ensino afetivo como ponto central para o aprendizado: "O que faz a diferença é o fato de o professor tornar o ensino relevante para o aluno e ajudá-lo a se desenvolver".
"Não há como abrir um canal para que o aprendizado ocorra sem o afetivo", reforça o professor da Universidade Metodista Adauri Brezolin.
A professora de inglês Eliane de Carvalho vive essa preocupação no dia a dia. "Às vezes focamos tanto a metodologia que esquecemos de olhar para pessoas, de ver do que precisam."

Frases

"O mercado está mais exigente e precisa de professores qualificados e comprometidos"
VINÍCIUS NOBRE - vice-presidente da Braz-Tesol
"A maioria das escolas oferece duas ou três horas de aula por semana, o que não é suficiente para um aprendizado efetivo na rapidez que o mercado exige hoje"
GRAEME HODGSON - diretor de língua inglesa do British Council